Número 62, 27 de março de 2008
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Veja nesta edição

  • População do Alto Ribeira é prejudicada pela interdição de cavernas
  • Redespeleo e comunidade local do PETAR fizeram petição pública em 2003 para evitar fechamento do Parque
  • Espeleo 2008 será realizado em Cordisburgo, MG, de 22 a 25 de Maio
  • Turismo no Vale do Ribeira é sustentável e não agride as cavernas
  • Alexander Klimchouk ministra palestra no Grupo Bambuí
  • Governo da Noruega preserva alimentos em caverna no Pólo Norte
  • RESENHA
  • SEP e SEPARN promovem campanha de oito dias em Felipe Guerra (RN)
  • Lançado novo número da Revista O Carste
  • Caverna com vestígios do século IV é encontrada no Sinai, Egito
  • Das mais de cem grutas turísticas do país, apenas dez têm plano de manejo
  • Jornadas Científicas de Espeleologia serão realizadas em Portugal

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População do Alto Ribeira é prejudicada pela interdição de cavernas

População do Alto Ribeira é prejudicada pela interdição de cavernas

Após mais de um mês da interdição de cavernas em parques estaduais, administrados pela Fundação Florestal, centenas de famílias - nos municípios de Iporanga, Apiaí, Eldorado e Ribeirão Grande - sofrem grande prejuízo econômico e social. A medida foi adotada pelo IBAMA, a partir de uma ação civil pública do Ministério Público Federal que tramita, desde 2001, em Santos e que determina a elaboração dos planos de manejo espeleológicos para ordenamento da visitação em cavernas.

Tanto os moradores e prestadores de serviço como dirigentes e gestores dos parques, poder público local, agências e operadoras de turismo e escolas que realizam atividade de estudo do meio em cavernas são contrários a esta medida, considerada precipitada e arbitrária pelo órgão federal e  que não leva em consideração todo o trabalho que vem sendo empreendido na região nos últimos vinte anos.

Alguns parques estaduais, como é o caso do Parque Intervales, uma das áreas consagradas de ecoturismo do país, não foram sequer vistoriados por técnicos do CECAV (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas) que tem como missão "propor, normatizar, fiscalizar e controlar o uso do patrimônio espeleológico brasileiro, bem como fomentar levantamentos, estudos e pesquisas que possibilitem ampliar o conhecimento sobre as cavidades naturais subterrâneas existentes no território nacional". (www.ibama.gov.br/cecav/).

É importante destacar que somente dez cavernas do país possuem plano de manejo o que reforça a necessidade de cooperação entre os órgãos de gestão e controle ambiental, além da ampla participação da sociedade civil, principalmente das comunidades diretamente envolvidas na recepção e orientação de visitantes em cavernas.  Importante destacar que é obrigatório o acompanhamento de monitores ambientais locais e o uso de capacetes e vestimenta adequada para todos os turistas que freqüentam as cavernas da região.

A Fundação Florestal protocolou no último dia 12 de março, na sede do Ibama-SP, um documento com propostas técnicas para execução de estudos de manejo e medidas para maior controle da visitação, solicitando a desinterdição das cavernas que são roteiro de visitação. 

No dia 20 de março reuniram-se no núcleo Ouro Grosso mais de oitenta pessoas dos municípios afetados pela medida, quando os gestores de parques esclareceram sobre o problema da interdição de cavernas. No mesmo dia foi grande a expectativa de reabertura de cavernas, mas no final da tarde foi ainda maior a frustração, pois somente seis cavernas de um total de quarenta cavernas visitadas (nos três parques) foram reabertas.

Atualmente o PETAR (que completará 50 anos em maio) é o parque com maior demanda de visitantes e possui, inclusive, um grupo voluntário de busca e salvamento - com mais de oitenta participantes, incluindo médicos e enfermeiros e vinculado ao Corpo de Bombeiros e SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). Todas as visitas turísticas em cavernas são orientadas por monitores ambientais, buscando evitar impactos ambientais e propiciar maior segurança e informação aos visitantes.
A medida de interdição de cavernas, além de prejudicar centenas de famílias da região, tem o efeito contrário do esperado. Nas cavernas fora dos Parques o turismo é intensificado, mesmo com a diminuição de visitantes. O aumento da atividade de extração do palmito juçara é evidente, uma "válvula-de-escape" para a falta de trabalho e renda imposta pela interdição. Alguns jovens já estão se mudando da região, em busca de emprego, desiludidos por anos de investimento pessoal e profissional na área do ecoturismo.

Na última segunda-feira, dia 24 de março, estiveram reunidos na sede do Ministério Público Federal de Santos, representantes do Ibama, do CECAV, atualmente vinculado ao Instituto Chico Mendes, da Secretaria do Patrimônio da União (cavernas são bens da união), da Fundação Florestal que vincula-se a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e cerca de trinta participantes, incluindo monitores ambientais, donos de pousadas e operadoras de ecoturismo (a maioria moradores tradicionais da região) e os prefeitos municipais de Apiaí e Iporanga. Nos próximos dias (26 a 28 de março), uma equipe do CECAV e da Fundação Florestal estarão percorrendo os parques afetados pela interdição com o objetivo de realizar um plano emergencial e definir os termos para realização de estudos de manejo espeleológico e ajustes para a melhoria.

A Redespeleo Brasil se solidariza e manifesta seu apoio a todos aqueles que dependem da visitação turística dos parques e que estão sendo injustamente prejudicados por esta situação insustentável. As cavernas que integram os principais roteiros de visitação nos parques devem ser abertas o quanto antes, é claro com medidas que aprimorem o trabalho que vem sendo realizado na região.

Fonte: www.atarde.com.br, 25/02/08  e e-mails recebidos pela comissão editorial
 

 

     
Redespeleo e comunidade local do PETAR fizeram petição pública em 2003 para evitar fechamento do Parque


Visando eliminar dúvidas sobre a atuação da Redespeleo com relação ao fechamento dos Parques, vimos esclarecer o que segue.
Em agosto de 2003, integrantes da Redespeleo Brasil, neste momento ainda em fase final de estruturação, estiveram presentes em uma reunião designada pelo Procurador da Justiça Federal de Santos que tinha por objetivo encaminhar representação movida pelo CECAV/IBAMA desde 1998 contra a inexistência de Plano de Manejo no PETAR.

Advogados ligados à Redespeleo em conjunto com grupos de espeleologia e pesquisadores, ao tomar conhecimento da existência deste processo no Ministério Público Federal e, já naquela época, do risco de fechamento do Parque, redigiram uma petição pública com o intuito de exigir o ordenamento da visitação no parque e garantir a continuidade das atividades turísticas sem prejuízos à comunidade.

Uma comissão de voluntários se dirigiu a Iporanga onde fez uma reunião com a comunidade local e explicou os termos da petição e a sua importância para reverter o risco de fechamento do Parque pelo Ministério Público Federal.

Durante a redação e as discussões sobre os termos da Petição proposta pela Redespeleo, uma carta aberta à comunidade local foi elaborada e distribuída. A carta explicava o início do processo no Ministério Público Federal, a reunião designada pelo Procurador da Justiça Federal de Santos e a existência da possibilidade de fechamento do Parque.

Após modificações exigidas pela comunidade local, o texto final foi fechado e encaminhado ao MPF. Como a Redespeleo estava em formação e ainda não possuia identidade jurídica, os grupos formadores de seu embrião resolveram assinar em conjunto a representação. Assinaram o Grupo Pierre Martin de Espeleologia (GPME), União Paulista de Espeleologia (UPE), Espeleo Clube de Avaré (ECA), Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná - Açungui e Instituto Ing Ong de Planejamento Sócio Ambiental. Assinaram ainda o espeleólogo Edwil Bernardi Piva (na época, não filiado a grupo nenhum) e a advogada Carolina Anson, que redigiu a petição. Juntaram-se a essas assinaturas dezenas de assinaturas individuais de pesquisadores e da população local, além de representantes de pousadas e monitores ambientais do PETAR.

A petição pública foi entregue no Ministério Público Federal pelos advogados da Redespeleo, e estes puderam explicar em uma reunião a necessidade do ordenamento da visitação no Parque, e a importância de mantê-lo aberto durante a realização do Plano de Manejo para a manutenção da estrutura sócio-econômica local e regional.
Desta forma a Redespeleo Brasil, representada por todos os grupos e pessoas envolvidas, foi a primeira instituição a se manifestar publicamente e pedir providências efetivas para que a situação não chegasse ao ponto atual.

Esses documentos (Carta aberta à Comunidade e Petição) são públicos e estão disponíveis no site da Redespeleo para download em www.redespeleo.org.br.

 

 

 
Espeleo 2008 será realizado em Cordisburgo, MG, de 22 a 25 de Maio

Cordisburgo é um local emblemático para o estudo de cavernas no Brasil. Na Gruta de Maquiné, deram-se os primórdios da espeleologia, paleontologia e arqueologia brasileiras, através do pai destas três atividades, o dinamarquês Peter Lund. Cordisburgo é também o berço de um dos maiores nomes da literatura mundial, Guimarães Rosa, que dedicou parte da sua obra às cavernas da região. Também na Gruta de Maquiné, há mais de 100 anos iniciou-se a exploração turística das cavernas brasileiras. Cordisburgo é, portanto, o cenário ideal para promover um novo encontro da comunidade espeleológica brasileira em torno de temas muito especiais. 

Além das visitas técnicas às cavernas da região, os participantes poderão participar de uma caminhada espeleo-literária denominada "Guimarães Rosa e o Carste", guiada por alguns dos maiores especialistas mundiais em Guimarães Rosa, além dos célebres "Miguilim" (contadores de histórias infantis). Também consta na programação do evento uma releitura por especialistas das primeiras explorações de Lund na Gruta de Maquiné, em 1833, com o intuito de recriar o clima da época em que Lund fez seus estudos considerados como base da espeleologia brasileira. Haverá ainda uma série de palestras, sempre focadas nos personagens tema do encontro, e um Mini-Workshop intitulado: "Manejo Turístico na Gruta do Maquiné". A gruta, declarada Monumento Natural pelo IEF, deverá ter seu plano de manejo elaborado, e durante o evento será realizada uma visita técnica com o objetivo de buscar subsídios que possam contribuir com melhorias na sua utilização turística.

Haverá ainda a degustação da pinga do evento, produzida em embalagem especial, e a comissão organizadora promete, por fim, um "tusquiamento agressivo" dos participantes, nos excelentes bares da região.

Participe conosco de mais este evento único e inesquecível!

Maiores informações (programação, ficha de inscrição, valores, hospedagem...) em:
www.redespeleo.org.br/eventos/espeleo2008

 

 

 
Turismo no Vale do Ribeira é sustentável e não agride as cavernas
Por Edwil Bernardi Piva*

A visitação turística espeleológica no Vale do Ribeira está entre uma das mais bem organizadas do país, mesmo com a não realização de Planos de Manejo das Unidades de Conservação e do Plano de Manejo Espeleológico para as cavernas turísticas dentro destas.

Soluções para ordenamento da visitação pública nos três parques, hoje administrados pela Fundação Florestal, foram realizadas ao longo dos anos por administradores das Unidades de Conservação, ONGs e associações de monitores ambientais, no sentido de manter a atividade eco-turística e o turismo de aventura espeleológico ativos, de forma ordenada e controlada, até a realização dos devidos Planos de Manejo e normatização definitiva.

O Parque Estadual Intervales é uma das Unidades de Conservação mais organizadas do País. Em seu interior, existem várias pousadas administradas por uma cooperativa local, que abrigam principalmente famílias e grupos escolares. Monitores ambientais, vinculados à mesma cooperativa, realizam passeios com roteiros bem definidos, onde é indicado o tempo, o número máximo de pessoas, a distância e o grau de dificuldade do percurso. Nenhum visitante do parque faz os percursos só ou sem equipamento básico de segurança. Pelo número de roteiros em relação ao número de visitantes, o impacto nas cavernas do parque é mínimo, pois as mesmas têm uma visitação classificada de extensiva a esporádica durante o mês.

No Parque Estadual Jacupiranga (que foi recentemente desmembrado em três parques), a caverna do Diabo, um dos símbolos da atividade turística espeleológica de massa no Brasil, já sofreu todos os impactos possíveis no final da década de 60, quando a estrutura de passarelas, iluminação e barragem no rio foram implantadas. O ecossistema se estabilizou na parte turística após a implantação, mas apesar da agressão gerada pela forte iluminação, o circuito turístico se mantém com os mesmos parâmetros ambientais há pelo menos 4 décadas. A caverna tem em média 20 m de altura e estrutura que permite a visitação de um grande número de pessoas sem necessidade de equipamentos especiais de segurança e sem modificar as características do ambiente.

No PETAR, o turismo relativamente sem controle e em grande fluxo ocorreu somente até o início dos anos 2000, quando a administração do Parque, conselho consultivo, ONGs, organizações de monitores ambientais locais e pousadas tomaram providências conjuntas para ordenar a visitação e tentar evitar a possibilidade de fechamento do Parque. Entre as medidas tomadas na época estão a obrigatoriedade de monitoria ambiental local para todos os visitantes do Parque; o fechamento do camping do núcleo Santana; a reforma e reestruturação da "Trilha do Betary"; a obrigatoriedade de equipamentos de segurança para todos os turistas; a eliminação da utilização de iluminação a carbureto na caverna Santana, e a organização de um grupo voluntário de busca e salvamento (GVBS) - com mais de oitenta participantes, incluindo médicos e enfermeiros e vinculado ao Corpo de Bombeiros e SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência).

Os resultados foram imediatos, a visitação caiu assombrosamente nos anos seguintes à implantação das medidas, e vem subindo lentamente, mas com um novo perfil. Famílias, grupos de amigos e escolares visitam agora o Parque com uma visão conservacionista, aprendendo a respeitar e interagir de forma adequada com o ambiente.

As cavernas turísticas do Parque têm volumes internos relativamente grandes e espeleotemas robustos, sendo que a visitação, mesmo intensa, da forma como está estruturada, pouco interfere no ambiente cavernícola.

A caverna de Santana é um caso a parte, pois a visitação intensiva ao longo dos anos, com a utilização de equipamentos a carbureto, enegreceu as paredes e espeleotemas, antes completamente brancos, da caverna que é considerada uma das mais bonitas e bem ornamentadas do País. Sendo a caverna mais impactada pela visitação no Parque, é também um exemplo da recuperação do ambiente cavernícola graças à eficiência das medidas implantadas. Hoje lentamente os espeleotemas da caverna estão ficando limpos, as paredes começam a mostrar a calcita branca, o ambiente se mostra mais estável e a caverna começa a voltar ao seu esplendor original.

Infelizmente o IBAMA, sem conhecer sequer a maioria das cavernas turísticas do estado, portanto sem vistoriar e sem ter realizado uma avaliação técnica sobre a forma, a intensidade e freqüência dos impactos negativos gerados pela atual condição do espeleoturismo praticado dentro das Unidades de Conservação resolveu, de forma precipitada, interditar as cavernas.

O papel do órgão ambiental deveria ter sido o de dar subsídios técnicos à justiça para que esta tomasse uma decisão a respeito da ausência de Planos de Manejo Espeleológico. Além de não realizar sua função a contento, ainda não avaliou as conseqüências de sua ação sobre a população e a economia local. Na região, sabidamente com menor IDH do Estado, e um dos últimos e importantes remanescentes de mata atlântica do país, as opções à ausência de turismo são a extração ilegal de palmito, a agricultura de subsistência e a pecuária, com destruição das florestas, além do êxodo para os grandes centros urbanos.

A Fundação Florestal, por sua vez, protocolou um documento com propostas técnicas para execução de estudos de manejo e medidas para maior controle da visitação, solicitando a desinterdição das cavernas que são roteiro de visitação até o término dos planos de manejo espeleológicos.

Qualquer pessoa com bom senso e um conhecimento mínimo sobre o Uso Público dos Parques afetados pelo embargo do IBAMA concluiria que, independentemente dos problemas legais administrativos e jurídicos entre os órgãos ambientais e o Ministério Público, os parques têm estrutura e organização para se manterem abertos até o final da implantação dos planos de manejo. Só que mais uma vez o ditado se faz válido para a administração pública no Brasil: "em briga de elefante, quem apanha é a grama", e os principais prejudicados são as milhares de pessoas que vivem direta ou indiretamente do turismo nos 5 principais municípios envolvidos.

* Edwil Bernardi Piva (BEDU) é professor de biologia, espeleólogo filiado ao GPME, Biólogo formado pela UFSCar, com trabalhos na avaliação dos impactos ambientais no Uso Público do PETAR e foi colaborador técnico eventual do CECAV/IBAMA - SP em 2004.

   

 

   

Alexander Klimchouk ministra palestra no Grupo Bambuí
Por Thiago Lima - Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas

O Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas foi presenteado em seu aniversário de 25 anos (comemorado no último dia 13 de março) pelo Instituto do Carste e pela Votorantim Metais, com a palestra do Ucraniano Alexander Klimchouk, realizada em sua sede, no dia 15 de março.

Klimchouk é considerado, por muitos, um dos maiores espeleólogos da atualidade. Cientista de grande renome internacional com diversas publicações científicas e também um grande explorador, coordena o projeto "O Chamado do Abismo", responsável pela exploração do maior abismo do mundo, a caverna Krubera, localizada na Geórgia (antiga União Soviética), hoje com 2.191 m de profundidade.

Em sua palestra, Klimchouk tratou primeiramente das maiores cavernas de gesso do mundo (grandes labirintos com até 214 km!), localizadas na Ucrânia, e sobre as mais novas teorias no meio científico sobre a gênese de grutas nesta litologia. Logo depois, relatou sobre a fantástica Krubera, as dificuldades na exploração, as técnicas utilizadas para transpor grandes obstáculos, a equipe, a criação do projeto "O Chamado do Abismo", a infra-estrutura de exploração, e de diversos outros fatos que fazem desta uma descoberta sem precedentes na história da Espeleologia mundial.

O Bambuí agradece ao Instituto do Carste e à Votorantim Metais a oportunidade de vivenciar esta grande experiência espeleológica!

   

 

 


Governo da Noruega preserva alimentos em caverna no Pólo Norte

O medo do aquecimento global fez com que o governo da Noruega investisse dez milhões de dólares em um super-refrigerador, capaz de armazenar sementes de alimentos por milênios. A instalação está localizada numa caverna gelada no Pólo Norte e vai abrigar inicialmente cem milhões de sementes de mais de cem países diferentes. Ao todo são 268 mil amostras de alimentos, como arroz, milho, trigo, berinjela, alface, cevada e batata, entre outros.

Apelidada de "Arca de Noé" ou "cofre do fim do mundo", a câmara possui compartimentos congelados a uma temperatura de 20º C negativos.

As primeiras sementes foram guardadas pelo primeiro Ministro Norueguês, Jens Stoltenberg e a ambientalista queniana Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz de 2004, na última semana de fevereiro.

Fonte: www.acheiusa.com,  02/03/2008

   

 

   
RESENHA
Por Roberto Brandi - Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleologicas

Dez Anos Debaixo da Terra

Autor: Norbert Casteret Editora: Tavares Martins, 1945

Norbert Casteret foi um ilustre e renomado espeleólogo francês. É mundialmente conhecido por suas incríveis aventuras e por uma extensa literatura eternizada em mais de 35 livros de sua autoria. Considerado por alguns como "pai da espeleologia moderna", seus relatos inspiraram gerações de espeleólogos, principalmente franceses.
Seu primeiro livro, "Dix ans sous terre" foi escrito em 1933 e foi afortunadamente traduzido para o português em 1945. "Dez anos debaixo da terra" é um livro com um texto fluente e envolvente. Casteret surpreende com suas aventuras que, muitas vezes ocorriam em solitário. Inusitadas situações revelam-se a cada página em uma época que a espeleologia francesa vivia intensamente seus primórdios.
Caracterizando um pouco de sua personalidade, Casteret deixa em seus textos uma mostra de sua paixão, dedicação e persistência. Se a aventura tempera o livro, é no seu apurado senso de observação, expresso em seus capítulos sobre as ciências da espeleologia, que Casteret nos deixa sua maior lição. Não se restringindo à mera atividade desportiva, o autor nos lega em sua conduta uma verdadeira demonstração de como se faz importante uma ampla cultura geral demandando um comportamento consciente adequado ao meio subterrâneo.
Trata-se indiscutivelmente de um grande clássico da literatura mundial espeleológica, uma leitura recomendada a todos os espeleólogos.
O livro com tradução na língua portuguesa pode ser encontrado somente em sebos. Uma boa dica é procurar nos sebos internacionais.
Uma versão free - ebook pode ser encontrada na internet, em língua inglesa:
http://tera-3.ul.cs.cmu.edu/

   

 

   

SEP e SEPARN promovem campanha de oito dias em Felipe Guerra (RN)
Por Solon Almeida-Netto - Sociedade Espeleológica Potiguar

No período de 09 a 17 de março de 2008, estiveram em campanha no município de Felipe Guerra, Rio Grande do Norte, a Sociedade Espeleológica Potiguar - SEP e a Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte - SEPARN.

Os objetivos da viagem foram, primordialmente, a documentação cartográfica, fotográfica e identificação de alguns pontos cavernícolas que estavam inseridos incorretamente na base de dados do CECAV/RN, já que faltava aos mesmos a precisão necessária.

Os trabalhos dos grupos centraram-se na região do Lajedo do Rosário, o maior e mais conhecido sítio espeleológico do Estado.

A importância da viagem deve-se ao fato de que as atividades de exploração de petróleo, atualmente, vêm sendo licenciadas e demandadas em importantes áreas espeleogenéticas do município, chegando-se, casuisticamente, a identificar um poço exploratório de óleo a apenas setenta metros de uma cavidade natural bastante relevante.

Como essas cavernas não estão topografadas e nem, tampouco, os órgãos licenciadores vêm exigindo a produção desses mapas pelos empreendedores, o ônus de mapeá-las está recaindo sobre os grupos, que estão atuando na região em parceria com o Ministério Público Estadual, para identificar e coibir as irregularidades praticadas tanto pela iniciativa privada, como pelo órgão licenciador ambiental estadual (IDEMA) e o federal (Chico Mendes/ CECAV), posto que a Resolução CONAMA 347/04 vem sendo vergonhosamente descumprida no Rio Grande do Norte.

Ao todo, foram topografadas quatro novas cavernas e localizados inúmeros pontos que ensejarão outros mapas cavernícolas ainda no transcorrer de 2008, além de ter sido produzido farto material fotográfico das belezas do carste da região.

O que, porém, mais chamou a atenção dos espeleólogos foi a constatação de que o arquivo shape fornecido no site do CECAV está, com relação a algumas cavidades, extremamente impreciso, chegando a apresentar erros de várias dezenas de metros.

Ora, com o avanço da tecnologia de GPS, não se cogita mais um tamanho grau de equívoco na plotagem de pontos, especialmente quando se toma o alarmante fato de que esse mesmo banco de dados do CECAV vem sendo manuseado para autorizar as licenças ambientais na área.


O trabalho da campanha rendeu vários produtos, mas outras saídas a campo, de mesmo porte, estão sendo cogitadas para os próximos sessenta dias, a fim de que se possa ter um diagnóstico mais preciso acerca dos danos ambientais às cavernas do Rosário, e seja finalizado um relatório técnico capaz de subsidiar a atuação do Ministério Público na região; texto que, quando concluído, será disponibilizado a toda comunidade espeleológica nacional através da web.

 

 

 

 

Lançado novo número da Revista O Carste

Foi lançado no mês de fevereiro o volume 19, número 2, dezembro de 2007 da Revista O Carste. Este número traz um artigo de Roberto Brandi sobre Ricardo Krone e Lourenço Granato e suas influências na história da espeleologia paulista no final do século XIX e início do século XX; e um artigo de Luis Eduardo Panisset Travassos tratando do tema "O carste como pano de fundo nas obras de ficção". O Carste é uma publicação do Grupo Bambui e pode ser obtido em:
www.bambui.org.br.

 


   
Caverna com vestígios do século IV é encontrada no Sinai, Egito

Uma missão arqueológica do Conselho Superior da Antigüidade Egípcia descobriu uma caverna com vestígios dos séculos IV e V d.C., aproximadamente, na região de Banho dos Faraós, a 50 quilômetros da cidade Ras Sudr, no sul do Sinai (200 quilômetros a leste de Cairo).

Os arqueólogos observaram, nos muros da caverna, algumas inscrições de cor vermelha nas línguas grega e copta (idioma camito-semítico, do Egito Antigo e com influências gregas), sob fundo branco.

A partir das inscrições encontradas, os especialistas egípcios dataram os vestígios entre os séculos IV e V d.C. Há quatro anos, uma caverna parecida, usada como refúgio de cristãos contra as perseguições dos romanos, foi encontrada no país.

Fonte: www.ansa.it/, 10/03/2008

   


   
Das mais de cem grutas turísticas do país, apenas dez têm plano de manejo

Um levantamento feito pela Folha de São Paulo junto ao CECAV (Centro de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas), órgão do Ministério do Meio Ambiente, revela que apenas dez cavernas em todo o país possuem plano de manejo aprovado.

Três dessas grutas ficam em Bonito (MS): Lagoa Azul, Abismo Anhumas e São Miguel. No Paraná, as cavernas Bacaetava e Lancinha já concluíram os estudos. No Amazonas, há outras duas: Maroaga e Batismo. Goiás, Santa Catarina e Bahia têm uma gruta cada um com plano de manejo, respectivamente, a caverna dos Ecos, a Botuverá e a Poço Encantado. No país, o CECAV avalia que existam entre 100 e 120 cavernas exploradas turisticamente.

Alexandre Fortuna, chefe-substituto do CECAV, diz que o plano de manejo é um instrumento para ordenar a visitação, proteger o turista e evitar grande impacto ao ambiente. Segundo ele, várias cavernas são exploradas turisticamente desde os anos 1960; porém nunca houve uma regulamentação ambiental. "Desde a fundação do CECAV, há 11 anos, tentamos mudar essa situação. Cobramos desde 2002 estudos dos três parques de São Paulo."

De acordo com Fortuna, as cavernas têm um ecossistema muito peculiar e, se ocorrem acidentes, é difícil prestar socorro. "É preciso analisar, por exemplo, as aranhas, escorpiões e fungos patológicos que podem existir nesses locais." No núcleo Santana do PETAR, por exemplo, não há sequer telefone; é preciso percorrer cinco quilômetros, até o Bairro da Serra, para usar o aparelho. Funcionários do parque, entretanto, têm radiocomunicador.

Além de exigir o plano de manejo, o IBAMA fez solicitações específicas, emergenciais, para algumas grutas. No caso da caverna do Diabo, no Parque Estadual Jacupiranga, quer a desativação imediata da iluminação no local, feita com lâmpadas incandescentes, que aquecem demais e provocam alterações no ambiente. Já em relação à caverna de Santana, a mais visitada do PETAR (foram 25 mil visitantes no ano passado), o instituto exige que seja elaborado um mapa de riscos para o visitante, que avise sobre abismos, teto baixo, piso escorregadio etc.

Vale ressaltar que, apesar de se ter conhecimento dos planos de manejo das cavernas citadas no artigo da Folha de São Paulo, muitos deles feitos com a participação de sócios da Redespeleo Brasil, a comunidade espeleológica nunca foi comunicada sobre a aceitação desses planos pelo CECAV.
Foi uma surpresa tomar conhecimento dessas informações pela mídia e não diretamente por parte do órgão licenciador.

Fonte: www.folha.uol.com.br/, 17/03/2008

   
     
Jornadas Científicas de Espeleologia serão realizadas em Portugal
Por Gabriel Mendes - Presidente da Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia

Serão realizadas em Portugal de 1 a 4 de Máio próximos as "I Jornadas Científicas de Espeleologia" em Leiria, região central de Portugal. O evento, abordando o tema do Maciço Calcário Estremenho (Maior Carste de Portugal) está sendo organizado pela Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, pelo Núcleo de Espeleologia de Leiria e pelo Instituto Politécnico de Leiria.

Destinado à comunidade espeleológica portuguesa, o evento visa divulgar as diferentes vertentes científicas e pesquisas realizadas no Maciço Calcário Estremenho, e contará com workshops, saídas de campo e apresentações temáticas.

Trata-se de um evento de grande importância científica, pois contará com a presença confirmada de perto de 30 pesquisadores de alto nível de diversas universidades de Portugal e Espanha.

Potencializa-se assim a oportunidade de promover a integração entre as diversas áreas acadêmicas em prol de um melhor conhecimento do mundo subterrâneo.

Maiores informações em:
www.fpe-espeleo.org/eventos/jornadascientificas/

 
     

Expediente

 

Comissão Editorial:
Allan Calux, Augusto Auler, Leda Zogbi.

Correspondentes:
Ericson Cernawsky Igual (GPME), Lívia Medeiros Cordeiro (GESB). Colaboração especial neste número: José Antônio Ferrari

Revisão:
Leda Zogbi

Diagramação:
Carlos H. Maldaner.

Logotipo:
Daniel Menin

Artigos assinados são de responsabilidade dos autores. Artigos não assinados são de responsabilidade da comissão editorial. A reprodução de artigos aqui contidos depende de autorização dos autores e deve ser comunicada à REDESPELEO BRASIL pelo e-mail: conexao@redespeleo.org.

O Conexão Subterrânea pode ser repassado, desde que de forma integral, para outros e-mails ou listas de discussão.