Número 61, 28 de fevereiro de 2008
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Veja nesta edição

  • IBAMA embarga cavernas do Vale do Ribeira-SP
  • Remapeada Caverna do Pilão em Iracemápolis, SP
  • ESPELEO 2008 "De Lund a Guimarães Rosa", 100 anos de turismo na Gruta de Maquiné, 100 anos de Guimarães Rosa
  • Instituto do Carste traz o cientista e espeleólogo Alexander Klimchouk para palestras em Belo Horizonte e São Paulo
  • PRODUÇÃO CIENTÍFICA - Novas datações questionam a sobrevivência tardia de toxodontes no vale do Ribeira
  • Mobilidade do Homem de Neandertal
  • Expedição avalia o potencial cognitivo e científico da Toca da Boa Vista e grutas vizinhas
  • Realizado mapa do Buraco das Abelhas, MS
  • EGB comemora 30 anos de fundação
  • Expedição mapeia cavernas em diversas litologias na Bahia
  • Redespeleo lança novo livro Técnicas Verticais para Espeleologia - Manual de Referência
  • GPME comemora 21 anos
  • Fundado o Instituto do Carste
  • Dúvidas e informações

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Número 69 - 17.10.2008
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Número 56 - 24.11.2007
Número 55 - 28.09.2007
Número 54 - 27.08.2007
Número 53 - 08.08.2007

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IBAMA embarga cavernas do Vale do Ribeira-SP

O IBAMA embargou para visitação turística todas as cavernas do Vale do Ribeira, na região sul de São Paulo. A região tem a maior concentração de grutas do Brasil, das quais 46 estavam abertas ao turismo. São todas as cavernas turísticas do Estado. Entre elas, estão as duas maiores e entre as mais visitadas do País, a Caverna do Diabo, em Eldorado, e a Gruta de Santana, em Iporanga. A interdição atingiu as cavernas localizadas em três parques estaduais administrados pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado - Parques Estaduais Turístico do Alto Ribeira (Petar), de Intervales e da Caverna do Diabo.
O embargo foi determinado porque, segundo o Ibama, a Fundação Florestal, órgão da secretaria que gerencia os parques, não teria elaborado o plano de manejo espeleológico das unidades. Houve também imposição de multa à fundação. A medida, tomada no dia 20/03, pegou de surpresa a Secretaria do Meio Ambiente, prefeitos da região e agências de turismo. O prefeito de Iporanga, Ariovaldo Pereira (DEM), disse que, se a situação persistir, a cidade terá grandes prejuízos. Segundo Pereira, apenas no bairro da Serra, próximo do núcleo Santana, mais de 20 pousadas dependem, exclusivamente, de excursões às cavidades.
O diretor-executivo da Fundação Florestal, José Amaral Wagner Neto, disse que recorrerá, administrativamente, contra a resolução do instituto. Segundo Wagner Neto, as grutas de São Paulo são as que têm o maior nível do controle e a visitação segue normas oficiais definidas por decretos e portarias federais. Segundo ele, o Instituto Florestal iniciou em 2006 o processo de elaboração dos Planos de Manejo Espeleológico dos três parques, de acordo com a exigência do Ibama. Em 2007, a Fundação Florestal elaborou o Termo de Referência e destinou recursos para a execução. Wagner Neto lembrou que há um processo que trata da transferência das cavernas do governo federal para o de São Paulo. O diretor-executivo da Fundação Florestal lembrou que, em vários outros Estados, tanto dentro como fora das unidades de conservação, existem dezenas de cavernas com visitação turística que não apresentam plano de manejo e não foram embargadas. A superintendência do Ibama em São Paulo foi procurada, mas não deu retorno.
Fonte:www.atarde.com.br, 25/02/08.

 

     
Remapeada Caverna do Pilão em Iracemápolis, SP
Por Ericson Cernawsky Igual (OvO) – GPME

No último dia 26 de janeiro, uma equipe do GPME (Grupo Pierre Martin de Espeleologia) efetuou o remapeamento da Caverna do Pilão (R* SP 0196), localizada no município de Iracemápolis, SP. A gruta, em arenito, é composta basicamente por um único e amplo salão, com desenvolvimento total de 35 metros e foi mapeada pela primeira vez em 1984 por Claude Chabert, Nicole Boullier e Guy Collet. Infelizmente, esse mapa não se encontra em nenhum acervo conhecido, e foi necessária a realização de um novo mapeamento.

Esse exemplo expõe com clareza a importância de um acervo consistente e que garanta a perenização de dados espeleológicos, como a Mapoteca Digital da Redespeleo Brasil.
Na ocasião do remapeamento, um cavalo foi observado na parte mais extrema, no interior da caverna. Conseqüentemente, o piso encontrava-se totalmente pisoteado e devido à grande umidade do local havia muita lama, oriunda dos excrementos do animal. Foram também observadas algumas pichações dos eventuais visitantes da caverna.

 

 

 
ESPELEO 2008 "De Lund a Guimarães Rosa", 100 anos de turismo na Gruta de Maquiné, 100 anos de Guimarães Rosa

Durante o feriado de Corpus Christi, entre os dias 22 e 25 de maio próximos, será realizado na histórica cidade mineira de Cordisburgo, a 120 km de Belo Horizonte, Minas Gerais, o Terceiro Encontro Técnico da Redespeleo Brasil, o Espeleo 2008. Este encontro, que reúne, de forma descontraída, cientistas e amantes das cavernas, trará uma série de atrações que, em seu contexto histórico e espeleológico, deverão constituir-se em eventos inesquecíveis.
Cordisburgo pode ser considerada como a cidade-berço da espeleologia nacional. Foi ali que o dinamarquês Peter Lund, em 1833, na Gruta de Maquiné, travou contato pela primeira vez com as grutas e suas ossadas, resultando em uma vida inteira dedicada às cavernas e à paleontologia brasileiras. Esta mesma gruta completa mais de um século de exploração turística, um pioneirismo que inclui, há mais de 40 anos, o primeiro sistema de iluminação artificial do país. Além disto, Cordisburgo é também a cidade natal de um dos maiores escritores brasileiros e mundiais, Guimarães Rosa, que completa em 2008 o seu centenário de nascimento.
O evento contará, como de hábito, com palestras técnicas e visitas técnico-científicas a cavernas. Nesta ocasião especial, realizaremos uma caminhada espeleo-literária guiada por especialistas Roseanos, recriando e revendo locais descritos por Guimarães Rosa em seu conto "O Recado do Morro". A Gruta de Maquiné hoje, em conjunto com seu rico entorno, declarada Monumento Natural, receberá um mini-encontro técnico voltado a colher subsídios para um melhor aproveitamento de seu potencial turístico. E o pioneirismo de Peter Lund será homenageado com uma releitura de sua primeira incursão na caverna, em companhia de Peter Brandt e Peter Claussen. Em suma, um evento único e imperdível.
Maiores detalhes serão divulgados brevemente pela Redespeleo Brasil. O Espeleo 2008 promete ser um evento que trará conhecimento técnico e muita descontração, em um local e data de grande importância histórica e literária para nossas cavernas. Anote já esta data em sua agenda.

 

 

 
Instituto do Carste traz o cientista e espeleólogo Alexander Klimchouk para palestras em Belo Horizonte e São Paulo

Na primeira edição do evento "Jornadas do Carste", o Instituto do Carste (veja matéria neste número) trará para o Brasil o ucraniano Alexander Klimchouk, cientista de renome e reconhecido como um dos maiores espeleólogos da atualidade. O evento é patrocinado pela Votorantim Metais, com o apoio da Redespeleo Brasil.
Nascido em Odessa e criado em Kiev na Ucrânia, Alexander Klimchouk pratica a espeleologia desde os 11 anos de idade. Sua primeira área de trabalho foram as gigantescas cavernas em gesso do oeste ucraniano, incluindo a terceira maior caverna do mundo, Optimistischeskaya, atualmente com 215 km de galerias subterrâneas. Sua carreira de explorador o levou a descobrir, a partir dos anos 70, as cavernas profundas da antiga União Soviética. Após a exploração de várias cavernas com -1000 m de desnível, Alexander decide, no ano 2000, estabelecer o projeto "The Call of the Abyss" (O Chamado do Abismo) com o objetivo de descobrir a primeira caverna do mundo a superar os         2000 m de profundidade. A missão foi cumprida. Sob sua coordenação, o abismo de Krubera, nos Montes Cáucasos da Geórgia, atingiu 2190 m de profundidade em uma exploração épica, repleta de aventura e surpresas. Mas as explorações de Klimchouk continuam, com novas cavernas profundas em várias partes do planeta, incluindo um novo candidato a também superar os 2000 m de profundidade.
PhD em estudos de caverna, Alexander Klimchouk já publicou cerca de 250 artigos internacionais e 8 livros, incluindo algumas das melhores obras conhecidas sobre sua maior especialidade, a formação e a evolução das cavernas (espeleogenese). Com 40 anos de experiência e tendo trabalhado em mais de 2000 cavernas em 30 países, esta é a primeira visita de Klimchouk ao Brasil e à América do Sul.
Durante sua estadia no país, de cunho prioritariamente científico, Klimchouk dará duas palestras gratuitas, uma em Belo Horizonte e outra em São Paulo. Nestas palestras, Alexander Klimchouk nos levará a uma viagem pelo incrível mundo dos labirintos em gesso da Ucrânia, passando pelos picos gelados da Geórgia e a saga da descoberta da mais profunda caverna do mundo. Uma aventura fascinante, mesclada com ciência, e contada por um dos maiores exploradores da atualidade.
 
Compareça e venha conhecer de perto esse grande explorador.

Em Belo Horizonte: dia 15/03 (local a ser confirmado).

Em São Paulo: dia 28/03/08, às 20h00, no Auditório do Colégio Dante Alighieri,

Alameda Jaú, 1061, São Paulo. (próximo da estação Trianon/MASP do metrô).

   

 

   

PRODUÇÃO CIENTÍFICA
Novas datações questionam a sobrevivência tardia de toxodontes no vale do Ribeira
Por Augusto Auler

Neves, W.A.; Hubbe, A.; Karmann, I. 2007. New accelerator mass spectrometry (AMS) suggest a revision of the Electron Spin Resonance (ESR) middle Holocene dates obtained for a Toxodon platensis (Toxodontidae, Mammalia) from southeast Brazil. Radiocarbon 49: 1411-1412.

Esta nota científica apresenta uma nova datação para um exemplar de Toxodon encontrado em cavernas do vale do Ribeira em São Paulo. A datação anterior, obtida através do método denominado RPE (Ressonância Paramagnética Eletrônica) indicava uma idade bastante recente, por volta de 6,5 mil anos para este grande herbívoro extinto. Esta idade constituiria evidência de que estes animais sobreviveram à extinção generalizada da megafauna durante o final do período Pleistoceno há cerca de 10 mil anos. As novas datações, em colágeno preservado nas ossadas, empregaram o método mais estabelecido do radiocarbono através de espectrometria de massa. As novas idades são consideravelmente mais antigas, por volta de 13 mil anos, em consonância com outras idades já publicadas da megafauna brasileira. Para maiores informações ou uma separata eletrônica, favor contatar um dos autores, Alex Hubbe em:
alexhubbe@yahoo.com

   

 

 


Mobilidade do Homem de Neandertal

OA análise de um dente de  40 mil anos, encontrado no sudeste da Grécia, concluiu que o homem de Neandertal - uma espécie com parentesco próximo ao Homo sapiens - tinha mais mobilidade do que se imaginava. A análise do material - parte dos fragmentos do primeiro e único Neandertal encontrado na Grécia - mostrou que o parente da humanidade viveu pelo menos parte de sua vida longe da área onde foram encontrados seus restos mortais.
Existem controvérsias entre os paleontólogos quanto à mobilidade do homem de Neandertal. Alguns especialistas acreditam que o homem de Neandertal vagou por regiões muito limitadas, mas outros dizem que eles tinham mais mobilidade, especialmente quando estavam caçando.
A equipe de pesquisadores do instituto grego analisou o esmalte do dente encontrado por radiações de isótopos de estrôncio, um elemento químico metálico naturalmente encontrado nos alimentos e na água. Os níveis de estrôncio encontrados no material revelam que pelo menos esse Neandertal cresceu numa área diferente - a cerca de 20 quilômetros - da região onde foi descoberto.
Com isso, o homem de Neandertal também teria convivido com o homem moderno em algumas partes da Europa.
Fonte: Associated Press, 12/02/2008

 

 

   
Expedição avalia o potencial cognitivo e científico da Toca da Boa Vista e grutas vizinhas
Por Augusto Auler - Instituto do Carste/Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas e Pedro Xavier Neto – Petrobrás

Entre os dias 21 e 29 de janeiro de 2008, uma expedição composta por integrantes da Petrobrás, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, IBAMA (Instituto Chico Mendes - representado pelo Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas - CECAV), Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas e Instituto do Carste percorreram várias cavernas na região norte do estado da Bahia, com ênfase na Toca da Boa Vista e Toca da Barriguda, as duas maiores cavernas do Brasil, localizadas no município de Campo Formoso.
Esta incursão, sob o tema "Plano de Reconhecimento de Campo e Avaliação do Potencial Cognitivo da Província Cárstica Hipogênica de Campo Formoso - Bahia", teve como objetivo avaliar o potencial destas cavernas em termos de ensino e pesquisa científica.
A Toca da Boa Vista apresenta morfologia e extensão atípicas, pertencendo ao grupo de cavernas denominadas "hipogênicas", ou seja, cavernas geradas devido ao fluxo ascendente de águas subterrâneas. Nos últimos anos, a Toca da Boa Vista tem adquirido relevância mundial, motivando diversos pesquisadores a buscar elementos que permitam não só elucidar sua gênese, como também obter dados científicos que venham a ser úteis em outras disciplinas. Além das cavernas acima mencionadas, foram também efetuadas visitas à várias outras grutas, como Toca dos Ossos, Pontes do Sumidouro e Lapa dos Brejões. A expedição foi um sucesso e espera-se que seja a primeira entre muitas outras de cunho científico na área

 

 

   

Realizado mapa do Buraco das Abelhas, MS
"Por Tuta Barroco e Drica Castro

Diferentemente da espeleologia "seca", poucos mapas subaquáticos foram produzidos até hoje no Brasil. Isso se deve a alguns fatores; entre eles a diferença do tempo de prática de cada uma dessas atividades no País e, também em decorrência da quase paralisação das atividades de mergulho em caverna depois da publicação da Portaria número 89 do IBAMA, em 13 de agosto de 2001. Essa portaria regulamenta a atividade e restringiu o acesso das cavernas exclusivamente para fins de pesquisa científica, cultural-turística e técnico-exploratória, desde que com projetos licenciados, devidamente autorizada pelo CECAV/ IBAMA. O mergulho turístico com finalidade de exploração econômica ficou limitado aos "mergulhadores especializados e sob supervisão direta de um Condutor Especializado, realizado nos limites estabelecidos para o mergulho de turismo conforme definido no Plano de Manejo Espeleológico da caverna-alvo". Como não há até hoje nenhum plano de manejo aprovado pelo CECAV/ IBAMA, os mergulhos turísticos foram, portanto, proibidos.
Sem contar os sifões topografados pelos espeleomergulhadores, temos alguns bons mapas, como os do Poço Encantado e do Sistema Gruta Azul - Pratinha, na Bahia, e os da Gruta do Mimoso e do Abismo Anhumas, no Mato Grosso do Sul, todos eles feitos por equipes que mesclaram espeleólogos que se tornaram mergulhadores de caverna e mergulhadores de águas abertas que se enveredaram para as cavidades naturais.
Dentre as conquistas recentes do CEMEC - Conselho Especializado em Mergulho em Cavernas reconhecido oficialmente em 2006, está a substituição da Portaria 89 pela Instrução Normativa número 100, que reconhece o CEMEC como o órgão consultivo que fornecerá apoio ao CECAV/IBAMA na análise dos projetos e autorizações relacionadas ao mergulho em cavernas no Brasil. Dentro desta nova ótica, foi realizado em agosto de 2007 o trabalho de mapeamento no Buraco das Abelhas, que consolida a vocação topográfica dos mergulhadores brasileiros (90% da equipe topográfica da expedição veio do mergulho de águas abertas) e servirá de parâmetro para a avaliação dos mapas espeleológicos subaquáticos dos Planos de Manejo Espeleológicos pelo CECAV/IBAMA, um dos patrocinadores do projeto.
No caso da progressão submersa em cavernas, o Brasil tem condições de formar espeleomergulhadores e mergulhadores de caverna entre os mais completos do mundo, equalizando a diferença existente entre os conhecimentos dos dois praticantes. O território nacional possui uma grande quantidade de nascentes que são cavernas essencialmente freáticas, onde técnicas espeleológicas não são necessárias, mas possui também uma quantidade ainda maior de cavernas vadosas que mergulham no lençol freático formando sifões, onde os conhecimentos de espeleologia "seca" são obrigatórios. A cooperação e o estabelecimento de um fluxo de informações entre todos os atores da exploração e pesquisa em cavernas, é condição básica para o avanço nos diversos aspectos do conhecimento espeleológico.
O mapa do Buraco das Abelhas é fruto desta cooperação, e foi desenvolvido com a imprescindível ajuda de Leda Zogbi do Grupo Pierre Martin de Espeleologia. No mapa foram utilizados os principais símbolos usados pela UIS e NSS/CDS, além de alguns criados especialmente para melhor simbolizar algumas características particulares da caverna (e explicitados na legenda). Parte das informações contidas neste trabalho faz dele uma ferramenta de grande utilidade para o planejamento de mergulhos neste sistema de condutos alagados.

Além do CECAV/IBAMA, o Projeto Buraco das Abelhas recebeu patrocínio da Prefeitura de Jardim/MS e apoio do PARNA Serra da Bodoquena, entre outros. 

Maiores informações com tutabarroco@ig.com.br ou drica_castro@hotmail.com.

 

 

 

 

EGB comemora 30 anos de fundação

Para comemorar seus 30 anos de existência, o Espeleo Grupo de Brasília - EGB inaugurou uma exposição fotográfica no dia 12 de fevereiro.
São 31 fotografias de vários autores, abordando temas variados desde grandes salões e espeleotemas, até animais encontrados nas cavernas, como sapos, cobras e amblipígeos.
As fotos são de diversas cavernas e regiões do país. Local: Espaço Cultural Renato Russo, 508 SUL, Galeria Central, de 12 a 29 de fevereiro.
Nessa data especial, a Redespeleo Brasil parabeniza o EGB pelos 30 anos de trabalhos em prol da espeleologia brasileira e deseja muitas boas cavernadas e muito  sucesso ao grupo.

 


   
Expedição mapeia cavernas em diversas litologias na Bahia
Por Leda Zogbi, Daniel Menin e Ericson Cernawsky Igual (OvO) – GPME

Durante o feriado do Carnaval, foi realizada uma pequena expedição, com a participação de quatro espeleólogos do Grupo Pierre Martin de Espeleologia ao sul da Chapada Diamantina, Bahia. O alvo inicial era a cidade de Ibicoara onde, em uma visita em janeiro ao famoso "Buracão", um dos principais atrativos turísticos da Chapada, se tinha tido notícias de algumas cavernas em quartzito localizadas nas serras vizinhas.
Com a ajuda de dois monitores locais (Oziel Silva Pereira e Florisvaldo Araújo), foram localizadas e mapeadas três cavidades, duas em quartzito e uma em arenito. A mais relevante dentre elas, a Gruta do Brejão, somou aproximadamente 450 m de desenvolvimento. A gruta é bastante labiríntica, com duas drenagens distintas e diversos espeleotemas do tipo "coraloide". De uma das nascentes da gruta é captada a água para abastecer um vilarejo próximo.
A equipe decidiu, em seguida, rumar para uma região onde haveria calcário, de acordo com a análise dos mapas geológicos da área, no município de Iramaia. A  iniciativa foi coroada com êxito: além de ter localizado quatro grutas bem conhecidas na região pelo seu aspecto religioso, das quais uma foi completamente mapeada (a Toca da Onça), a equipe descobriu uma nova cavidade bastante interessante. A ausência completa de vestígios em seu interior sugere que a caverna não tenha nunca sido penetrada pelo homem anteriormente. Trata-se de uma gruta em calcário, bastante ornamentada, com alguns salões grandes, passagens labirínticas e formações originais. Apesar da beleza de seu interior, a caverna não é indicada para turismo. Além de se tratar de um ambiente bastante frágil, a cavidade apresenta ainda dificuldades no percurso, como grandes desníveis, condutos apertados e algumas passagens expostas ao risco de queda. A caverna possui uma gênese bastante complexa e, em três dias de trabalho, a equipe mapeou aproximadamente 1.400 m de condutos, sendo que alguns ainda permaneceram em aberto. Uma nova expedição deverá ser agendada para o término do levantamento de campo.
Certamente a Chapada Diamantina e seu entorno ainda reservam muitas surpresas e alegrias aos espeleólogos.

 


   
Redespeleo lança novo livro Técnicas Verticais para Espeleologia - Manual de Referência

A Redespeleo Brasil tem o prazer de comunicar o lançamento do livro: Técnicas Verticais para Espeleologia - Manual de Referência, de Daniel Menin (GPME) e Daniel Viana (GBPE), sexto livro editado pela Rede e quarto da sua série técnica de publicações.
O livro apresenta as principais técnicas verticais utilizadas atualmente na espeleologia brasileira e mundial. Com uma abordagem abrangente e utilizando uma linguagem simples e acessível, os autores, ambos com larga experiência na área, apresentam, comparam e sugerem equipamentos e técnicas utilizados na espeleologia vertical. Trata-se de um manual de referência, que organizamos para se tornar leitura obrigatória a todos aqueles que se interessam em penetrar um pouco mais fundo no mundo subterrâneo.
O objetivo da série técnica de publicações é ampliar o conhecimento sobre as diversas áreas abordadas na espeleologia, fornecendo um material de qualidade com preços acessíveis, possibilitando a divulgação de informações anteriormente limitadas aos especialistas de cada área.
O lançamento - uma tarde de autógrafos que contará com a participação dos autores Daniel Menin e Daniel Viana - ocorrerá das 17h00 às 20h00 do dia 1º de março, sábado, na Academia de Escalada Esportiva 90 graus, Rua João Pedro Cardoso 107, Aeroporto. Contamos com a sua presença!

Indicações de acesso no site: www.noventagraus.com.br.

 
     
GPME comemora 21 anos

No dia 19 de Março, o GPME - Grupo Pierre Martin de Espeleologia completa 21 anos de existência. Para comemorar esta data especial, nos dias 15 e 16 de março o grupo está organizando uma grande festa em sitio localizado no distrito de Caucáia do Alto, Município de Cotia - SP. A programação prevê para a noite do sábado uma pizzada e posteriormente festa com a animação do DJ Mariu's Silagi (Sócio do GPME) e no domingo, um grande churrasco. O sitio possui piscinas, quadras de esportes com grama, quadra cimentada, campo de futebol, playground para a criançada, lago e amplo salão de jogos.
Opção de ficar só no sábado, só no domingo ou emendar todo o final de semana no sitio, a partir do meio dia do sábado. A data limite para confirmar presença é dia 11 de março. Maiores informações pelo e-mail gpme@gpme.org.br.
Venha comemorar conosco!

   
     
Fundado o Instituto do Carste
Por Augusto Auler

Idealizado há vários anos, o Instituto do Carste é uma organização não governamental (ONG) fundada oficialmente no dia 15 de dezembro de 2007, que pretende preencher uma lacuna importante em relação às organizações ligadas às cavernas e aos ambientes cársticos no Brasil. A iniciativa de fundação do Instituto do Carste partiu de sócios do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas como Augusto Auler, Helena David, Luciana Alt, Luís Beethoven Piló, Paulo Pessoa e Vitor Moura, além de Leda Zogbi do Grupo Pierre Martin de Espeleologia, que julgavam necessário um alicerce de caráter mais técnico e principalmente científico para conduzirem seus trabalhos. Muitos destes sócios, outrora ligados a órgãos públicos, como universidades, não possuíam uma organização que pudesse veicular seus interesses e canalizar iniciativas de cunho mais científico.
Diferentemente dos vários grupos espeleológicos existentes no país, o Instituto do Carste não tem como objetivo principal atividades como exploração e mapeamento de cavernas. Estas atividades podem até vir a ser realizadas no âmbito do Instituto, mas sempre com o intuito de fornecer a base necessária para estudos subseqüentes mais aprofundados. Dentre as áreas a serem abrangidas pelo Instituto do Carste estão estudos sobre a geologia do carste superficial e subterrâneo, biologia subterrânea, manejo e restauração de ambientes cársticos, publicações e eventos entre vários outros. O grau de ênfase em cada uma destas áreas dependerá do interesse e iniciativa de seus membros.

   
     
Dúvidas e informações

Com tantos grupos espeleológicos por aí, para que mais uma organização voltada para a espeleologia?

A quase totalidade dos grupos espeleológicos brasileiros (e  mundiais) tem como objetivo atividades esportivas. O Instituto do Carste pretende justamente cobrir áreas não praticadas por estes grupos, reunindo cientistas e técnicos interessados em atividades mais especificas e de cunho prioritariamente científico. Desta forma, o Instituto do Carste não irá competir com quaisquer das organizações espeleológicas ora existentes no país. Muito pelo contrário, irá fornecer uma alternativa hoje não existente, contribuindo para incrementar o conhecimento que temos de nossas cavernas e áreas cársticas.
Outro ponto importante a ser mencionado é que o Instituto do Carste não necessariamente trabalhará com cavernas. Aspectos do carste superficial, como geomorfologia, ou áreas mais técnicas como hidrogeologia cárstica, serão enfocadas pelo Instituto do Carste.

Como será composto o quadro social do Instituto do Carste?

O quadro social será composto por sócios pesquisadores, beneméritos e contribuintes. Para se tornar um sócio pesquisador do Instituto, o interessado deverá submeter um projeto à aprovação do Instituto do Carste. Os sócios pesquisadores serão, por assim dizer, "a força propulsora" do Instituto do Carste, e serão isentos de qualquer taxa de adesão. A categoria de sócio contribuinte engloba elementos que queiram apoiar o Instituto do Carste, mas que não necessariamente desenvolvam projetos técnico-científicos. Esta categoria é uma boa alternativa para aqueles que queiram melhor conhecer a estrutura do Instituto do Carste e participar de algumas de suas atividades. Sócios beneméritos são aqueles que se destacaram em sua atuação em prol do Instituto do Carste, sendo eleitos para este fim pela Assembléia Geral. Maiores detalhes sobre formas de admissão e deveres/direitos das três categorias de sócio serão fornecidas oportunamente.

Qual a fonte de financiamento do Instituto do Carste?

Serão diversas, tanto nacionais quanto internacionais. Entendemos que existe um bom potencial para angariar fundos para atividades sérias realizadas por pesquisadores experientes e capacitados. A grande maioria do financiamento hoje existente para atividades espeleológicas científicas provem de órgãos federais e estaduais de fomento, como CNPq, CAPES ou FAPESP. A iniciativa privada ou mesmo órgãos de financiamento internacionais são raramente utilizadas. O Instituto do Carste já está atento a várias alternativas e, inclusive, possui como um de seus objetivos, facilitar o acesso à estas fontes.
Lembramos que o Instituto do Carste é uma entidade sem fins lucrativos. A verba porventura arrecadada em seus projetos será destinada à atividades relacionadas ao carste e às cavernas.

Como funcionará o Instituto do Carste?

A princípio, o funcionamento, ao menos nos primeiros anos, se dará de maneira virtual (sem uma sede fixa). A diretoria não terá qualquer tipo de remuneração.
Um diferencial importante do Instituto do Carste em relação a outras organizações espeleológicas é que qualquer verba arrecadada por um de seus sócios, apesar de revertida para o Instituto do Carste, será administrada pelo sócio que a arrecadou. Com isto, objetivamos incentivar a busca de recursos e valorizar as pessoas que efetivamente produzem.

Quais são os projetos iniciais do Instituto do Carste?

Diversos, alguns já em pleno andamento, como a visita de Klimchouk ao Brasil, conforme artigo neste boletim. O início das atividades tem mostrado grande potencial. Intencionamos divulgá-los através de publicações espeleológicas virtuais e impressas. Até o final de 2008, esperamos ter uma home-page funcional que será o principal meio de disseminação de nossas atividades.

   
     

Expediente

 

Comissão Editorial:
Allan Calux, Augusto Auler, Leda Zogbi.

Correspondentes:
Ericson Cernawsky Igual (GPME), Lívia Medeiros Cordeiro (GESB). Colaboração especial neste número: José Antônio Ferrari

Revisão:
Leda Zogbi

Diagramação:
Carlos H. Maldaner.

Logotipo:
Daniel Menin

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