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Expedição Chapada 2004 O município de Iraquara (juntamente com Palmeiras, Seabra, Andaraí e Itaetê) no centro da Bahia, destaca-se no cenário espeleológico nacional pela quantidade, importância científica, beleza cênica e grandiosidade de suas cavernas. As primeiras explorações na região começaram em 1986 quando uma equipe de franceses em parceria com espe-leólogos do Ceará realizaram a topografia do Sistema Santa Rita, formado por duas cavidades principais: a Lapa Doce I e II com 9,7 e 6,5 km respectivamente. Além disso, uma ampla prospecção na região revelou importantes cavidades como a Pratinha, Torrinha e Gruta Azul. Em 1991 uma nova expedição internacional, desta vez organizada pelo Groupe Méandres de Rouen - França descobriu a continuação da Gruta da Torrinha elevando a sua extensão para mais de 6 km.
A década de 90 também foi marcada por intensas pesquisas científicas nas áreas biológica e geológica. Novas espécies de peixes troglóbios foram descobertas e estudos sobre os depósitos cavernícolas revelaram aspectos importantes sobre a gênese e evolução do carste local. Além dos cientistas, Iraquara também atraiu a atenção dos turistas que, literalmente, invadiram suas cavernas. Várias cavidades passaram a ter uma visitação sistemática, e foram incluídas definitivamente nos circuitos turísticos do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Preocupados com as questões ambientais (além do turismo, o crescimento urbano, a agricultura e até mesmo o abastecimento de água tem ligação direta com as cavernas) o IBAMA e o CRA tentaram criar mecanismos de proteção como a APA Marimbus-Iraquara e a portaria do IBAMA de 2001 que regulamenta o uso turístico das cavernas da região. Diga-se de passagem, estas atitudes tiveram poucos efeitos práticos, uma vez que depois de mais de 10 anos da criação da APA, muito pouco foi feito para a proteção efetiva das cavernas.
Dentro deste contexto, foi idealizada a Expedição Chapada 2004, com o objetivo de retopografar as três maiores grutas da região: Lapa Doce I e II e Torrinha. Em primeiro plano, ficaria a continuidade dos levantamentos topográficos, aproveitando os mapeamentos produzidos pela UPE/FBDS. Também seria mais uma boa oportunidade para integrar grupos de várias partes do Brasil, trocar experiências e ao mesmo tempo desfrutar um pouco dos encantos da Chapada Diamantina. A expedição ocorreu entre os dias 26 de dezembro a 8 de janeiro, contando com a participação de 48 espeleólogos de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Brasília e Bahia. Os traba-lhos de topografia acaba-ram se concentrando somente no Sistema Santa Rita (Lapa Doce I e II) e somaram 24 km de visadas (incluindo detalhamento de salões, dolinas e feições externas). Pudemos verificar que a maioria das galerias topografadas nesta expedição já eram conhecidas, embora muitas não estavam sequer indicadas nos mapas anteriores. O objetivo deste trabalho, é a produção de um mapa muito mais detalhado e completo, que poderá servir de base para os futuras pesquisas e até mesmo para o plano de manejo turístico da caverna.
Exploração e topografia nos parques nacionais de Ubajara, Ceará e Sete Cidades, Piauí
O parque Nacional de Ubajara, localizado na Serra de Ibiapaba, Ceará, foi criado em 1959 e consideravelmente ampliado em 2002, possuindo atualmente 563ha. Ainda assim, trata-se do nosso menor parque nacional. A principal característica da região é que o calcário metamorfizado e dobrado do grupo Ubajara, foi recoberto posteriormente por uma camada de arenito. A erosão retirou essa capa de arenito do vale e nesses locais aflora o calcário, na forma de pontiagudos maciços repletos de lapiás, que se destacam na densa vegetação da serra. A cidade de Ubajara e a sede do parque se encontram em cima dessa plataforma arenítica e para facilitar o acesso às grutas, foi instalado um teleférico, pois a entrada da gruta de Ubajara, principal atração do parque, se encontra no vale, mais de 300m abaixo. O clima ameno, no alto da Serra contrasta radicalmente do clima tórrido do vale (mais de 10° de diferença). Com o apoio da diretoria do parque (IBAMA), foram visitadas as grutas: Furna do Araticum, Furna do Alto, Gruta do Morcego Branco, Gruta do Pendurado, Gruta do Urso Fóssil e a Gruta de Ubajara, maior e mais representativa gruta da região. Com padrão labiríntico e condutos freáticos, a gruta é bastante ornamentada e possui um trecho turístico iluminado de 400m. A visitação turística é feita com acompanhamento de guias e a gruta recebe anualmente cerca de 60.000 visitantes (estatística de 2003). O parque possui plano de manejo.
O Parque Nacional de Sete Cidades, no Piaui engloba uma área de 6.221ha, dos municípios de Piracuruca e Piripiri. Sua principal característica é a ocorrência de sete grandes afloramentos rochosos ruiniformes, em arenito. A rocha assumiu formas originais e inusitadas, como altas torres e arcos imponentes, que lembram realmente cidades de pedra, daí o nome de "Sete Cidades". Nos paredões, muitas inscrições rupestres denotam a ocupação de populações pré-colombianas. No parque, foram plotadas e topografadas as grutas da Pedra do Descanso (15m), Furna do Indio (6m), Gruta do Catirina (7m) e Gruta do Pagé (10m), todas em arenito. Por fim, a equipe foi checar uma referência no município de São João da Fronteira, a uns 70km do parque de Sete Cidades. Foi localizado o Buraco do Aurélio, gruta em arenito ferruginoso, caracterizada por uma entrada redonda e vertical de 2,40m de profundidade, que dá acesso a uma sala de teto baixo, recoberto por milhares de baratas formando um verdadeiro tapete sobre todo o solo e paredes da gruta. O calor sufocante, o cheiro intolerável de guano e as baratas, impediram uma topografia mais detalhada da gruta, mas foi feito um levantamento expedito do salão principal da gruta, que apresenta continuidade em duas galerias de teto baixo. Uma eventual topografia da gruta, tida pela população local como o "respiro de Ubajara" demandará preparo e uma boa dose de sangue frio e vontade.
EGB fornece cursos para formação/ preparação de espeleólogos Dando início às atividades de 2005, o EGB - Espeleo Grupo de Brasília, ofereceu nos dias 11 e 12 de janeiro, um curso de Introdução à Espeleologia, com a participação de sócios (novatos e veteranos), interessados e amigos, totalizando 19 participantes. O curso foi ministrado pela sócia Cristina Bicalho, e foi dividido em dois módulos, o primeiro tratando do histórico da espeleologia, gênese e origem das cavernas, e o segundo discorrendo sobre os diversos tipos de espeleotemas, os trabalhos do espeleólogo e dicas de segurança para cavernas horizontais. O curso culminou com uma visita ao Buraco das Andorinhas, caverna localizada a 120 Km de Brasília, no município de Formosa, GO, no dia 15 de janeiro. Continuando com suas atividades, em 18 de janeiro foi apresentada uma palestra sobre espeleo mergulho pelo instrutor Eduardo Macedo, que também é sócio do EGB. O grupo ainda tem agendada uma palestra sobre bioespeleologia para o dia 1º de fevereiro, a ser mi-nistrada pelo sócio Flávio Santos e, aguardando datas a serem confirmadas, estão previstos um curso de topografia de cavernas, a ser mi-nistrado pelo sócio Gabriel Seraphim e outro de espeleologia vertical, a ser ministrado pelo sócio Álvaro Barros. Sertão do nordeste já foi coberto por florestas
As maiores cavernas brasi-leiras, a Toca da Boa Vista e a Toca da Barriguda, foram alvo de um importante estudo desenvolvido por pesqui-sadores brasileiros e americanos. A datação de espeleotemas nessas cavernas permitiu a delimitação dos períodos chuvosos por que passou o atual semi-árido nordeste brasileiro. Estes estudos, publicados em fins de 2004 na prestigiosa revista britânica Nature e no Journal of Quaternary Science, auferiram que o último período pluvial se encerrou a 11.700 anos atrás. Os períodos chuvosos mostram uma notável correlação com eventos frios e secos no he-misfério norte. Além das amostras de cavernas, os pesquisadores, que incluem os brasileiros Augusto Auler e Patrícia Cristalli, coletaram amostras de tufos calcários nos arredores. Esses tufos encerram importante material fossilífero como folhas, troncos e raízes calcificadas. Os fósseis foram identificados como pertencentes a vegetação de florestas, em nada semelhante à atual vegetação de caatinga. A datação dos tufos, em conjunto com a idade dos espeleotemas, permite inferir que a região do nordeste já foi coberta por florestas, talvez representando um elo de ligação entre a floresta amazônica e a mata atlântica. Morte e resgate de turistas em caverna tailandesa após tsunami O tsunami que atingiu a costa da Tailândia fez duas vítimas na caverna Emerald Cave. Esta caverna é uma popular atração turística na qual os visitantes tem que mergulhar para atingir um salão iluminado por uma clarabóia. Mais de 80 turistas estavam visitando o local quando foram atingidos pelo tsunami que os empurrou para o interior da ca-verna. Os turistas, em sua maioria tailandeses, japoneses, chineses e taiwaneses, se agarraram às pedras pedindo socorro. Devido às fortes ondas as equipes de resgate levaram mais de 5 horas para retirar os já exaustos turistas da caverna. Um casal da Malásia, no entanto, faleceu após ser jogado de encontro às pedras. Três crianças, filhos do casal, conseguiram sobreviver.
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